Quando a tristeza não passa: entendendo a depressão
- 27 de jun. de 2025
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Atualizado: 1 de mai.
Ao longo dos anos, li diversos livros técnicos sobre depressão. Eles me ensinaram muito, mas a arte me ensinou tanto quanto.
Em uma entrevista, a atriz Denise Fraga disse:
“Uma das mais importantes funções do teatro hoje, a meu ver, é dar voz às nossas angústias, dar palavras àquilo que nós sentimos e não sabemos dizer.”
Percebo como as artes, como um todo, desempenham esse papel: filmes, músicas, pinturas, livros…
Um trecho que me marcou muito está no livro A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath:
“Eu me vi sentada no tronco dessa figueira, morrendo de fome simplesmente porque eu não conseguia decidir qual dos figos escolher. Eu queria todos e nenhum…”
Muitas pessoas que vivem a depressão se reconhecem nessa sensação: uma espécie de paralisia diante da vida, como se nada fizesse sentido ou trouxesse prazer. E, junto disso, pode vir um pensamento angustiante de que isso nunca vai passar.

Um sofrimento que pede reconhecimento, não silenciamento
A depressão não é frescura, tampouco fraqueza, mas um momento importante de olhar para dentro.
Quando passamos por experiências difíceis, precisamos de tempo para vivê-las. Talvez você pense “mas eu não passei por nada assim recentemente”. E aí que está, é possível que o que está deixando você mal tenha acontecido há muito tempo.
Você foi ensinada a se calar, a “ser boazinha”, a priorizar o outro, e, com isso, suas necessidades emocionais acabaram sendo constantemente colocadas em segundo plano. Sem perceber, aprendeu a esconder o que sentia para continuar existindo; defendeu-se dizendo para si mesma que não era nada. Empurrou, empurrou e agora, quando já não dá mais, talvez nem se lembre exatamente do que aconteceu. Mas o que a gente reprime não desaparece, fica ali, guardado, esperando um momento em que possa, finalmente, ser visto
A depressão pode surgir justamente assim: como um limite do corpo e da mente dizendo “não dá mais”. Um convite difícil, mas importante, para cuidar do que foi deixado de lado.
“Quando tudo pede um pouco mais de calma”¹
Viver a depressão em um mundo que exige alta produtividade é desafiador, e para muitas mulheres pode ser ainda mais difícil, pois acumulam jornadas múltiplas e cuidam de outras pessoas. A depressão costuma deixar quem a vivencia menos ativa e mais retraída. Ainda assim, se pudermos aceitá-la e vivê-la, saímos dela de forma mais inteira, porque, sim, se você se permitir sentir e compreender o que a tristeza está comunicando, uma hora ela pode passar.
O espaço terapêutico como ambiente em que a tristeza pode existir
Experimentar uma tristeza persistente dá medo - ainda mais se as pessoas ao redor cobram o tempo todo que você reaja, saia de casa e “coloque um sorriso no rosto”.
Na psicoterapia não existe essa cobrança. Cada um tem seu tempo. Se você continua mal, é porque ainda não dá para fazer diferente. Quando algo se quebra, é preciso consertar, e isso leva tempo.
Juntas podemos:
acolher e autorizar o que você está sentindo
escutar o que a tristeza está tentando comunicar
reconhecer como as expectativas sociais influenciam seus sintomas
reorganizar seu mundo interno
ampliar sua capacidade de lidar com as tensões internas, com os acontecimentos e desacontecimentos da vida
retomar o antigo ritmo apenas quando você estiver pronta
Se você busca um lugar onde seu tempo será compreendido e respeitado, adorarei poder ajudar.
¹ Trecho da música “Paciência” do Lenine.


