Depressão: quando o mundo interno pede cuidado | Psicoterapia e acolhimento
- umapsicologafemini
- 27 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de jan.
Ao longo dos anos, li diversos livros técnicos sobre depressão. Eles me ensinaram muito, mas a arte me ensinou tanto quanto.
Em uma entrevista, a atriz Denise Fraga disse:
“Uma das mais importantes funções do teatro hoje, a meu ver, é dar voz às nossas angústias, dar palavras àquilo que nós sentimos e não sabemos dizer.”
Percebo como as artes, como um todo, desempenham esse papel: filmes, músicas, pinturas, livros…
Um trecho que me marcou muito está no livro A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath:
“Eu me vi sentada no tronco dessa figueira, morrendo de fome simplesmente porque eu não conseguia decidir qual dos figos escolher. Eu queria todos e nenhum…”
Muitas pessoas com depressão se sentem assim, paralisadas diante da vida, sem força e sem prazer em coisa alguma, e a sensação de que isso nunca vai passar pode ser avassaladora.

Um sofrimento que pede reconhecimento, não silenciamento
A depressão não é frescura, tampouco fraqueza, mas um momento importante de olhar para dentro.
Quando passamos por experiências difíceis, precisamos de tempo para vivê-las. Talvez você pense “mas eu não passei por nada assim recentemente”. E aí que está - é possível que o que está deixando você mal tenha acontecido há muito tempo.
Você foi ensinada a se calar, a “ser boazinha”, a priorizar o outro – e, com isso, suas necessidades emocionais acabaram sendo constantemente colocadas em segundo plano. Sem perceber, aprendeu a esconder o que sentia para continuar existindo; defendeu-se dizendo para si mesma que não era nada. Empurrou, empurrou e agora - quando já não dá mais - talvez nem se lembre exatamente do que aconteceu. Mas o que é reprimido não desaparece: adormece, esperando um espaço onde possa, finalmente, ser visto e acolhido.
Por isso, a depressão pode se manifestar como um convite doloroso - o corpo dizendo “não dá mais para aguentar”.
É o momento em que aquilo que foi deixado de lado pede para ser cuidado com atenção e tempo.
“Quando tudo pede um pouco mais de calma”¹
Viver a depressão em um mundo que exige alta produtividade é desafiador - e para muitas mulheres pode ser ainda mais difícil, pois acumulam jornadas múltiplas e cuidam de outras pessoas. A depressão costuma deixar quem a vivencia menos ativa e mais retraída. Ainda assim, se pudermos aceitá-la e vivê-la, saímos dela de forma mais inteira - porque, sim, se você se permitir sentir e compreender o que a tristeza está comunicando, uma hora ela pode passar.
O espaço terapêutico como ambiente em que a tristeza pode existir
Experimentar uma tristeza persistente dá medo - ainda mais se as pessoas ao redor cobram o tempo todo que você reaja, saia de casa e “coloque um sorriso no rosto”.
Na psicoterapia não existe essa cobrança. Cada um tem seu tempo. Se você continua mal, é porque ainda não dá para fazer diferente. Quando algo se quebra, é preciso consertar - e isso leva tempo.
Na psicoterapia vamos:
autorizar e amparar a vivência da depressão
escutar o que a tristeza está comunicando
reconhecer como as expectativas sociais influenciam seus sintomas
reorganizar seu mundo interno
ampliar sua capacidade de lidar com as tensões internas, com os acontecimentos e desacontecimentos da vida
retomar o antigo ritmo apenas quando você estiver pronta
Se você busca um lugar onde seu tempo será compreendido e respeitado, adorarei poder ajudar.
¹ Trecho da música “Paciência” do Lenine.


