Brasileiras no exterior: entenda o impacto emocional da distância e como cuidar de si
- umapsicologafemini
- 27 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: há 6 dias

Meninas são, desde muito cedo, educadas para serem perfeitas, comportadas e para fazerem os outros felizes. Nesse percurso, a coragem raramente nos é apresentada como uma possibilidade natural. Ao contrário: aprendemos a não arriscar, a não incomodar, a não sair do lugar.
É justamente por isso que a mulher que migra não chega até esse caminho de forma automática. Sua escolha não é simples nem espontânea: ela exige esforço, dedicação e, sobretudo, a capacidade de enfrentar o medo, e seguir adiante apesar dele.
As migrações acontecem por motivos diversos: a busca por uma vida nômade, uma nova oportunidade de trabalho, o desejo de se afastar da família de origem ou a expectativa de recomeçar. Mas o recomeço nunca é do zero. Os desafios antigos permanecem e se somam a outros, ainda desconhecidos.
A perda do que é familiar
Cada pessoa se constitui a partir das suas relações, da sua história e da cultura que a cerca. Transformar perrengue em piada, abraçar amigos, comprar pão na padaria e amar churrasco dão sentido à nossa existência.
Quando alguém migra, parte desse sentido se desfaz. O que era familiar passa a ser estranho. Expressar emoções em outro idioma, lidar com diferentes formas de relacionamento e enfrentar o isolamento cultural pode gerar uma sensação de desamparo.
Migrar é, nesse sentido, atravessar uma série de lutos: o luto pela língua, pelas relações, pelo cheiro do café passado, pelo som do riso fácil, e até por partes de si mesma que pareciam sólidas e bem estabelecidas.
A bagagem emocional que vai com a gente
Migrar não apaga a própria história. Nossas questões emocionais não ficam no Brasil: elas atravessam fronteiras conosco. Conflitos antigos, feridas não elaboradas e modos de se relacionar seguem presentes, agora em um contexto novo, muitas vezes mais solitário e exigente.
A mudança de país pode alterar o cenário externo, mas não muda a forma que funcionamos por dentro. Padrões construídos ao longo da vida: formas de amar, de se defender, de lidar com perdas e frustrações continuam operando, mesmo longe do ambiente em que se formaram. Em alguns casos, a migração inclusive intensifica esses conflitos, justamente pela ausência das referências que antes ajudavam a sustentá-los.
Um espaço para elaborar e reconstruir
A psicoterapia online pode ser um espaço fundamental nesse percurso. Um lugar em que sua cultura é compreendida, sua língua é respeitada e sua história pode ser escutada sem que você precise explicar sua bagagem cultural. Um cantinho de acolhimento onde é possível falar livremente sobre dores, medos e desejos.
Por meio da fala e da escuta, torna-se possível elaborar as perdas, ressignificar a experiência migratória e, pouco a pouco, reconstruir um sentido de pertencimento - dentro e fora de si.
Se fizer sentido para você, estou à disposição para te acompanhar nesse processo.


